Resenhas | Sete Anos No Tibet

Sete Anos no Tibet e os ciclos que terminam (resenha)

Publicado em: julho 11, 2021 | Por: Lincoln Masterson

Filme: Sete Anos no Tibet

Gênero: Aventura, Drama

Produção: Jean-Jacques Annaud, Iain Smith, John H. Williams, Catherine Moulin

Direção: Jean-Jacques Annaud

Sumário

Em 1997, era lançado o filme Sete Anos no Tibet, ano de tantos acontecimentos no mundo, como a morte da Princesa Diana. Olhar para o passado pode nos trazer vários ensinamentos e foi com esse intuito que decidi trazer esse filme para a nossa resenha de autoconhecimento.

Sete Anos No Tibet, conta a história do austríaco alpinista Heinrich Harrer, cuja tentativa de escalar o pico do Himalaia é interrompida pela Segunda Guerra Mundial. Depois de muitas aventuras, ele se encontra no Tibet, onde faz amizade com o Dalai Lama, ganhando maturidade e humildade.

Eu nunca tinha assistido o filme Sete Anos No Tibet, mas sim ouvido sobre a história que sucedeu depois da Segunda Guerra, naquela região. O controle por poder é algo que sempre vimos ao longo da história. Tudo se resume em uma disputa de egos e objetos.

O que será que nos faz acreditar que somos melhor que alguém só por termos algo que o outro não tem? 

O filme possui uma fotografia linda, o Tibet realmente é um lugar para se passar sete anos, porém o meu foco aqui não será a fotografia, mas sim as várias mensagens que o filme transmite.

Sete Anos No Tibet - Tibet

Créditos: Mandalay Pictures | Fonte: Mandalay Pictures

  Uma dessas mensagens, é quando Heinrich que está preso, comenta:

A melhor forma de se enfrentar um problema é saindo pela porta da frente.

Já parou para pensar quantas vezes você procurou uma saída para determinadas situações e elas estão simplesmente à sua frente?

Essa cena em questão, termina exatamente com todos saindo pela porta da frente da prisão. É disso que se trata as questões da vida, não tente encontrar uma janela quando existe uma porta, por mais que existam adversidades próximas a ela; muitas vezes, essas adversidades não são tudo isso o que imaginamos ser.

Durante anos, imaginei histórias na minha cabeça, criava uma narrativa que era só minha e pensava que isso estava passando na cabeça dos outros também. Ficava com medo de levar a verdade, achando que teria um leão à minha espreita na saída da porta, então sempre procurava uma janela para solucionar os problemas; nesse caso, as histórias fantasiosas.

Somos nós que criamos  esses ‘leões’ em nossas cabeças, não pense pelos outros, mas tenha a certeza perguntando. – Será que realmente existe algo daquela narrativa construída na minha cabeça, ou não? – A verdade, muitas vezes pode doer, mas ela sempre trará soluções. 

Sete Anos no Tibet - Fuga da Prisão

Créditos: Mandalay Pictures | Fonte: Mandalay Pictures

Em outra cena Heinrich diz:

  “ Tibet é o país mais alto da terra e o mais isolado.”

Para se construir uma nova narrativa em sua vida, que não seja a de suposições, ficar consigo mesmo e se conhecer, é o melhor caminho. A pandemia trouxe esse momento para as pessoas se isolarem como os monges tibetanos e assim conseguirem ver um pouco mais de si. Eu sei que olhar para dentro pode doer; o ego faz parte da nossa natureza e queremos sempre estar certos, mas a vida terrena é um constante ensinamento.

A terra é o lugar que os corajosos decidiram escolher para evoluir, e cada um está em um nível particular. A vida não é uma corrida para determinarmos quem está mais ou menos evoluído, se existe uma “luta”, ela acontece com você mesmo, com sua mente.

Sete Anos No Tibet - Cultura

Créditos: Mandalay Pictures | Fonte: Mandalay Pictures

Certo dia, estava em uma aula de Barra de Access e estávamos conversando sobre evolução e falei que não acreditava nos ciclos como algo que se encerravam, porque se as almas não morrem e estamos sempre aprendendo numa evolução constante, acreditava que ciclos, na verdade eram espirais ascendentes. A resposta que recebi na conversa foi contrária à minha, que as pessoas podem decidir descer ao invés de subirem. Eu pensei por meses sobre isso, e hoje digo: “Quem sou eu para dizer que alguém está subindo ou descendo?”

As pessoas estão sempre dando o seu “melhor” naquele momento em que vivem. Quantas vezes não olhei para trás e falei para mim mesmo – Nossa, faria diferente. – Não podemos voltar ao passado, mas podemos mudar o presente com as experiências passadas. Por isso é tão importante se olhar, se autoconhecer.

Quando o filme avança e conhecemos Dalai Lama, vemos ele observando as pessoas e a cidade através de uma luneta. – Até quando você vai viver através das experiências dos outros? – Tomar atitudes de mudança de trajetória é o que muitos falam ser encerramentos de ciclos. Essas decisões muitas vezes não são fáceis, porque o incerto, é como uma estrada cheia de neblina, onde só temos as marcas que dividem a estrada para nos guiar. Saiba que estradas sempre te levarão a algum lugar e o seu destino pode estar mais próximo do que você pode imaginar.

Dalai Lama - Sete Anos No Tibet

Créditos: Mandalay Pictures | Fonte: Mandalay Pictures

“No país onde estou viajando, o Tibet, as pessoas creem que se caminham longas distâncias até lugares sagrados, isso purificará as más ações que cometeram. Creem que quanto mais difícil a jornada, maior será a purificação.”

Heinrich

Conhecer o desconhecido pode ser a maior aventura aqui nesse plano, não deixe as oportunidades passarem. Não precisamos de muito para estarmos bem, só precisamos estar bem. Saiba que se está difícil hoje, amanhã será melhor, quanto maior a dificuldade, maior será a recompensa.

Anos a fio, nos ensinaram que objetos são a fonte da felicidade, mas quando conquistamos aquele objeto desejado, partimos em busca de outro. Sabe por que? Porque não viemos aqui neste plano com o objetivo de conquistar coisas, mas sim de viver experiências que não existem em outros lugares do universo. 

Sete Anos no Tibet - Dalai Lama e Heinrich

Créditos: Mandalay Pictures | Fonte: Mandalay Pictures

Comece a se livrar de coisas que te prendem, saia pela porta da frente, viva novas experiências, escolha o que não é óbvio, siga o seu caminho e não o dos outros. E se durante os momentos em que sua escolha te levaram para um lugar que te trouxe sofrimento, deixo aqui uma mensagem do filme para que você continue na sua jornada.

Esculturas em manteiga são expostas ao sol para que todos saibam que nada é para sempre.”

Esse era o momento mais terrível para uma nação que não conhecia a guerra. Nas cidades, eram colocadas estatuas de manteiga e quando o povo tibetano as viam derreter, sabiam que o que estavam passando não era para sempre, que um dia iria passar. Assim como as estátuas de manteiga derretiam e não permaneciam para sempre, o sofrimento também não é.

Se você ainda não assistiu o filme Sete Anos no Tibet, esse é um grande momento de reacender essa mensagem para o mundo e principalmente para você.

Um grande abraço e até a nossa próxima resenha.

  Bom Filme!

Assista ao trailer do filme Sete Anos no Tibet:

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